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SESC SP oferece curso de quatro dias sobre partitura com Ivan Paschoito

Por Alessandro Soares

Vasculhar livrarias em busca de partituras era o que o violonista, arranjador e editor Ivan Paschoito fazia desde jovem. Mandava descer o estoque mas não achava o que queria. Em 1973, decidiu criar os próprios arranjos. Dez anos depois, a Cultura Musical marcou a estreia comercial de Ivan, ao imprimir uma peça. Ele gostou da empreitada e não parou mais. De lá pra cá, já fez 241 arranjos e transcrições distribuídos em 19 álbuns e mais de 150 partituras avulsas, publicadas pelas maiores editoras brasileiras (Arlequim, Fermata, Ricordi, Vitale) e americanas (Guitar Solo Publications, Amazon e SMP Press).

Com um manancial de histórias pra contar sobre o tema e a experiência singular, Ivan Paschoito vai ministrar o curso A partitura como negócio: história, técnicas, perspectivas entre 4 e 7 de dezembro (de segunda a quinta-feira), sempre das 15h às 17h, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista). Não é necessária a leitura de partituras para participar do curso. A programação é bem abrangente, mas com destaque para o universo do violão.

No primeiro dia, será feito um levantamento histórico da impressão musical no Brasil, das as primeiras edições para violão, em 1877, até a mudança de foco do negócio da partitura para a gravação, no início do século 20, passando pelo surgimento das grandes editoras. O papel das editoras estrangeiras e a contribuição de três grandes fábricas (Giannini, Di Giorgio e Del Vecchio) para a literatura do violão também fazem parte do programa, assim como as ameaças ao negócio da partitura impressa, que vão da  reprografia até hoje, na era das mídias sociais.

Ivan Paschoito

Nos dois dias seguintes, Paschoito vai abordar a técnica da edição musical. Assuntos como direitos autorais, a comparação da legislação brasileira com outros países e os tipos de edição (fac-similar, crítica, urtext) serão discutidos. E mais a evolução da notação para violão, a estética da escrita musical, além dos programas utilizados na edição musical e os conceitos gráficos (formatos, gramatura, margem, mancha, tipos de encadernação e tipos de impressão).

Por fim, no quarto e último dia o curso vai tratar das possibilidades atuais e perspectivas de publicação, cujo leque é bem variado. Isto é, o sistema tradicional permanece vivo mas divide espaço com a impressão em micro tiragens, sob demanda, e os sistemas de e-book/PDF: Kindle, iPad, SMP Press e streaming. No final do curso, Ivan vai apresentar formas de patrocínio e crowdfunding e a experiência da editora Legato, criada por ele.

Os conceitos do curso serão fartamente ilustrados com fotos, partituras e vídeos. “Vou também deixar com os participantes uma seleção de links de assuntos diversos e uma bibliografia selecionada em português e em inglês”, avisa.

            

Nascido em São Paulo em 1953, Ivan Paschoito é formado em Editoração pela ECA/USP. Não é músico profissional, mas um apaixonado pelo violão. Entre os livros que têm a assinatura dele, destacamos Dilermando Reis: The Guitar Works vol. 1 e 2 e The Guitar Works of Paulinho Nogueira vol. 1 e 2. Como assessor editorial, cuidou da edição do último trabalho de Henrique Pinto Antologia Violonística – e as reedições do Método Paulinho Nogueira e do primeiro volume de A Escola de Tárrega, de Sodré. Para outros instrumentos, piano, órgão, flauta e violino, são mais de 20 volumes, traduzidos e/ou editorados e publicados pela Ricordi. Atualmente Ivan tem sua própria editora, a Legato, especializada em música impressa para violão.

Serviço:

Local: Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista)

Dias: Segunda a Quinta-feira – 4 a 7 de dezembro

Hora: 15h até às 17h

Ingressos: R$ 9 a 30

Inscrições: A partir de 28 de novembro às 14h, no site do Centro de Pesquisa e Formação ou nas Unidades do Sesc em São Paulo.

Programa do curso

Segunda-feira (04/12): um pouco de história e do que se imprimiu no Brasil e, em menor extensão, no exterior

a) um pano de fundo: algumas características do mundo contemporâneo/pós moderno;

b) um apanhado histórico da impressão musical no Brasil;

c) a mudança do foco do negócio da partitura para a gravação, primeiras edições para o violão (1877);

d) surgimento das grandes editoras, suas origens, seu negócio e produção para o instrumento;

e) O que publicam as editoras que ainda estão no mercado;

f) As ameaças ao negócio da partitura impressa: da reprografia às redes sociais;

g) editoras estrangeiras que imprimiram partituras de violão brasileiro;

h) a contribuição das três grandes fábricas de violão para a literatura do instrumento;

Terça e quarta-feira (05/12 e 06/12): a técnica da edição musical e terminologia

a) Diferentes conceitos do termo ‘edição’;

b) A questão dos direitos autorais envolvidos numa edição musical;

c) Legislação brasileira x outros países;

c) Tipos de edição: fac-similar, crítica, urtext, outras;

d) As características da notação para violão, origens, evolução e outras práticas;

e) A estética da escrita musical, origens nos copistas e gravadores, regras incorporadas pelos softwares;

f) Programas utilizados na edição musical (um apanhado e algumas amostras), InDesign;

g) Conceitos gráficos: formatos, gramatura, margem, mancha, tipos de encadernação, tipos de impressão;

Quarto dia – quinta-feira (07/12): possibilidades atuais e perspectivas, como publicar hoje

a) Sistema tradicional;

b) Impressão em micro tiragens, sob demanda;

c) Patrocínios;

d) Crowdfunding;

e) e-book/PDF: Kindle, iPad;

r) SMP Press;

g) Streaming;

h) A experiência da editora Legato;

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