Shows | Coluna Alessandro Soares

Luís Carlos Barbieri e Maria Haro se apresentam nesta quarta (07/11) pelo Movimento Violão

Por Alessandro Soares

Quando Rio de Janeiro e Bahia sentam à mesa pra conversar, a música sempre agradece. Mais conhecida na MPB, a riqueza estética desse diálogo é evidente também no violão de concerto. Que o digam Luís Carlos Barbieri e Maria Haro, dois dos melhores intérpretes cariocas e que dedicam parte da carreira revelando e salvando obras de compositores baianos. Nesta quarta-feira (07/11) às 21 horas, ambos sobem ao palco do Sesc Consolação, em São Paulo, dentro do Movimento Violão, um dos mais importantes projetos sobre o instrumento no mundo.

Segundo Barbieri, em entrevista ao Acervo, o foco do recital são obras novinhas em folha (criadas entre 2014 e 2017) por compositores do Rio. De Vicente Paschoal serão apresentados os Prelúdios Nº 1 e Nº 3. “São magníficos e vão entrar no novo repertório violonístico daqui pra frente”, prevê Barbieri.

O violonista também é só elogios para a Toccata, composta por Ricardo Tacuchian e dedicada a Cyro Delvizio. “É uma peça exuberante e muito bem estruturada.” Barbieri também vai tocar Bonfanti, de Roberto Velasco, dividida em três movimentos: Prelúdio, Valsa e Tocata). “Bonfanti também é maravilhosa. Além disso, vou mostrar os Prelúdios Tortos Nº 1 e Nº 2, que integra uma série que venho escrevendo desde 2017. E ainda Colores Del Uruguay, também de minha autoria, formada de três movimentos.

Mas o onipresente compositor baiano Fred Schneiter (1959-2001) nas interpretações de Barbieri não poderiam faltar no recital, no qual será apresentada a Suíte Sinuosa (a única peça mais antiga do repertório, escrita em 1989, e formada em quatro movimentos: I – Mar Grande, II – Cacha-Prego, III – Vazio e III – Bestetu. “Esta obra remete à infância do Fred na Bahia, onde morou por cerca de 20 anos. A outra metade da vida dele se passou no Rio”, afirma Barbieri.

Fred Schneiter foi o grande parceiro de Luís Carlos Barbieri, com quem formou o Duo Barbieri-Schneiter, que atuou por 14 anos e com o qual gravou três CDs. Em 2018 foi lançado o CD Memórias: Bach e Mozart Arquivo ao Vivo com gravações de concertos do Duo Barbieri-Schneiter. Bacharel em Violão pela UFRJ, Luís Carlos Barbieri tem Mestrado em Musicologia com a dissertação “Catálogo Geral e Revisão Crítica da Obra para Violão Solo de Fred Schneiter”.

Como solista gravou cinco CDs e tem se apresentado em festivais na Europa e América Latina. Sem o empenho de Barbieri, dificilmente o legado do compositor baiano estaria disponível e circulando atualmente como se encontra agora. Barbieri dirige ainda a Mostra de Violão Fred Schneiter.

Maria Haro

Tal como a dedicação de Barbieri em catalogar, pesquisar, gravar em disco e divulgar a obra de Fred Schneiter em concertos, a violonista Maria Haro faz algo semelhante com peças de outro grande baiano: Nicanor Texeira, cujos 90 anos de nascimento vem sendo celebrados em diversos recitais que Maria tem promovido desde o início do ano.

E neste recital do Movimento Violão não será diferente. Serão oito peças que Maria Haro vai apresentar de Nicanor: Olhos que choram, Auto-Retrato, Fina Flor, Flor de Mandacaru, Concertante, Te enxerga muié. Lamento do Cantador Nordestino e Cateretê das Farinhas. Haro vai interpretar ainda obras de Arthur Verocai (Pacata e Sapecando) e mais duas do clássico espanhol Isaac Albéniz (Granada e Córdoba)

A música mais conhecida de Nicanor talvez seja o choro Carioca nº 1, dedicado à violonista portenha Maria Luisa Anido, e lançada por Turíbio Santos. Mas a assinatura musical de Nicanor abrange imensa variedade de estilos. Passa pelo choro carioca e a seresta.

E se hoje temos acesso à grande variedade das peças de Nicanor, isso deve fundamentalmente a Maria Haro, que em 1993 escreveu dissertação de mestrado sobre a vida e obra do compositor baiano. Também gravou em 2007 o CD Fina Flor, com nada menos que 35 obras desse grande violonista. Após um período esgotado, este disco foi relançado este ano.

Bacharel em Música pela UNIRIO e Mestre em Música pela UFRJ, Maria Haro nasceu no Uruguai e é naturalizada brasileira. É professora da UNIRIO desde 1993. Como intérprete já se apresentou no Brasil, na América latina e na América do Norte Estreou e gravou obras de compositores brasileiros, como Nicanor Teixeira, Arthur Verocai, Ricardo Tacuchian e Marco Pereira, dentre outros. 

A temporada 2018 do Movimento Violão teve estreia com Yamandu Costa, em setembro. No mês seguinte foi a vez do paranaense Fábio Lima e do carioca naturalizado paulista Daniel Murray. Eduardo Castañera (argentino radicado em Porto Alegre) e Maurício Marques se apresentam no Sesc Bom Retiro no dia 12 de dezembro, as 21h, representando a escola gaúcha.

Segundo o idealizador e diretor do projeto, o violonista e produtor Paulo Martelli, cada edição visa trazer a multiplicidade de linguagem que caracteriza nosso maior instrumento. O projeto tem produção de Juliana Oliveira.

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