Palestras e seminários

Música afroperuana é tema de curso em quatro sessões no Sesc SP

A música negra da costa peruana, subgrupo da música crioula (em espanhol, música criolla) é o tema do mais novo curso de violão oferecido pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc em São Paulo (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista), que começa nesta quarta-feira (03), das 14h às 16 horas. Ao todo são quatro aulas, sempre às quartas e sextas (a última será no dia 12), conduzidas pelo violonista e musicólogo peruano Fernando Llanos. O curso aborda história, linguagem, dança e tradições de ritmos como zapateo, marinera, festejo e landó. E analisa a Suíte para Violão e Cajón, do peruano Félix Casaverde (1947-2011) 

Professor de Violão Popular na Fundação da Artes de São Caetano do Sul (FASCS), Fernando também é doutorando em Música (PPGMUS-ECA/USP) e Mestre em Música (IA/UNESP). Para os violonistas brasileiros, este curso representa um contato com ritmos e apreensões muito particulares, que é o violão da costa peruana. É uma linguagem que dialoga muito bem com a música brasileira.

Para os interessados no tema, os encontros contribuem para discussões sobre culturas de matriz africana no Brasil, especialmente as manifestações expressivas. Longe pretender esgotar a vasta diversidade cultural peruana, que é milenar, o curso mostra um lado pouco conhecido da população negra do Peru e das práticas musicais que produziram e se tornaram referência e arquétipo para pensar a cultura afro-andina.

Segundo Fernando Llanos, o curso parte da Suíte para Violão e Cajón, do peruano Félix Casaverde (1947-2011), formada de quatro ritmos afroperuanos: zapateo, marinera, festejo e landó. A peça dialoga com a tradição mas também propõe nova linguagem. “O Casaverde e a suíte são temas do meu mestrado. O Peru tem forte demarcação andina. E essas outras expressões passam desapercebidas”, afirma. Llanos destaca que a escola mais forte é a da guitarra ayacuchana, oriunda da região Ayacucho. Tem muita técnica, diferentes afinações e agora tem expoentes em vários países.

Programa

Na primeira aula serão abordados aspectos históricos, sociais e culturais para se compreender o contexto do chamado renascimento afroperuano, surgido por volta da década de 1950. Toda a manifestação expressiva (músicas, danças, performance instrumental e corporal) integra o conteúdo. “Vou mostrar também como esse renascimento dialogou com movimentos reivindicação de negritude com outros países, como Brasil, Cuba e os movimentos de luta nos Estados Unidos, a exemplo do black power, tudo isso influenciou as famílias negras, especialmente as que já moram na capital Lima”.

Nesta sexta-feira (05), dia da segunda aula, Fernando abordará o zapateo e o festejo, incluindo características musicais, formais, estruturais, coreográficas, histórias sociais, práticas musicais da população negra. O festejo despertou interesse do nascente mercado discográfico de música afroperuana da época  e isso vai ser igualmente detalhado.

A terceira aula (quarta-feira, dia 10) será dedicada apenas ao ritmo landó, cuja peculiaridade métrica e poético-musical se internacionalizou bastante, a exemplo do instrumento carron e da cantora peruana Susana Baca, vencedora de dois Grammy latinos. “Hoje o landó está presente nos Estados Unidos, Japão, Espanha, Argentina e diversos outros países”.

A quarta e última aula é sobre a marinera, abrangendo suas variáveis regionais, além de ser ritmo emblemático, tanto nos Andes quanto na amazônia peruana. “Para encerrar o curso, apresentarei quatro estudos que compus ao violão, baseados tanto no vals crioulo, quanto no festejo, além do uso da Gnossienne 1, de Erik Satie, que transformei em outra coisa. Daí vou analisar o processo criativo, explicar as partituras, mostrar o que pertence a uma linguagem tradicional e o que está sendo alterado, recriado a partir da minha linguagem”, descreve.     

Fernando Llanos ressalta que a escola de violão da costa peruana tem acompanhamento feroz na música crioula. O violão crioulo tem esses ritmos (zapateo, lantó, marinero e festejo). E tem a valsa. A formação típica da música da costa peruana é o primeiro violão (que faz os repiques nas vozes agudas), o violão segundo (que faz os acordes), o violão terceiro (os bordões) e o cajón. 

Serviço:

Local: Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - 4º andar, Bela Vista)

Dias: quarta-feira (03/05), sexta-feira (05/05), quarta (10/05) e sexta (12/05) 

Hora: 14h até às 16h

Ingresos: R$ 15 a R$ 50

Inscrições: pelo site do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP ou nas unidades do Sesc SP

 

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