Jose-Augusto-de-Freitas

José Augusto de Freitas

Nascimento

20 de Fevereiro de 1909

Falecimento

24 de Agosto de 1990

Naturalidade

Rio Pomba (MG)

Um dos principais solistas da Era do Rádio, foi professor de Jodacil Damaceno. É autor de Soluços, gravada por Dilermando Reis

Por Jorge Carvalho de Mello                       

Presente em qualquer lista de pioneiros do violão, José Augusto de Freitas é um dos principais concertistas da Era do Rádio, entre o final dos anos 1920 e o começo da década de 1940. O repertório dele rompia a fronteira entre erudito e popular. Interpretava compositores europeus, como Francisco Tárrega, Albéniz, Chopin, Schubert, Aguado e Carlos Garcia Tolsa. Também divulgou a obra de Agustin Barrios, de quem foi aluno, e de brasileiros como Othon Salleiro e Henrique Brito.

Aluno destacado de Quincas Laranjeiras, Freitas foi professor de grandes mestres como Jodacil Damaceno. O trabalho como compositor está sendo redescoberto pelo Acervo. No banco de partituras, publicamos com exclusividade a peça Gavota, com edição de Luís Carlos Barbieri, que também a gravou em estúdio e em vídeo. A partitura havia sido publicada originalmente na revista O Violão e é dedicada a Laranjeiras.

Freitas é autor de várias peças. Entre as que gravou em 78 RPM no começo dos anos 1930, destacam-se Lamentos D´alma, Devaneio e Soluços (esta última também foi gravada por Dilermando Reis, em 1961). Há ainda alguns manuscritos de sua autoria no Museu da Imagem e do Som, recolhidos por Jacob do Bandolim. Mas a maioria das músicas de Freitas está desaparecida. (ver musicografia abaixo no final)

Rio Pomba

Nascido em Rio Pomba, em Minas Gerais, José Augusto de Freitas já nutria grande amor ao violão desde os oito anos, tempo em que foi morar no Rio de Janeiro. Mas a carreira artística só começa em 1928, aos 18 anos, quando passa a se apresentar em diversos programas da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, onde o grande violonista e compositor João Pernambuco exibia seu repertório.

Em 9 de junho daquele ano, por exemplo, o Correio da Manhã noticia um programa para violão e canto na mesma emissora. Pernambuco e Freitas fazem duo tocando a mazurca Mathilde e a Valsa Triste. E também formam um trio com Rogério Guimarães em Interrogando, Campanha do Sul e o tango Delirando.

Nos meses seguintes ocorreram apresentações semelhantes em várias emissoras, cujo repertório e elenco podem ser conferidos no final deste verbete. Os dados foram levantados a partir de notícias de jornais da época, como Correio da Manhã, A Noite e Gazeta de Notícias.

Em 23 de novembro de 1928, José Augusto de Freitas participa da festa do  bandolinista Luperce Miranda, realizada no Instituto Nacional de Música. Além do homenageado, o evento contou com João Pernambuco, Jaime Florence, Patrício Teixeira, Caninha, Josué de Barros e José Pereira (cantor do conjunto A Voz do Sertão).

No ano seguinte, Freitas inicia a carreira de concertista clássico, sem abandonar a música popular. Na verdade, ao longo de sua trajetória artística, fará sempre grande esforço para derrubar as barreiras entre esses dois mundos. O primeiro concerto ocorre em abril, no Cine Teatro Odeon, em Barbacena, em Minas Gerais (A Noite, Noticias de Barbacena, 22/04/1929, pág. 5).

Esta foi, na verdade, uma preparação para o grande concerto realizado em 29 de agosto no Instituto Nacional de Música. Para este evento, Freitas convidou a soprano Dulce Drummond e o violinista Carlos de Almeida, primeiro prêmio daquele instituto. (Diario Carioca, página 7, 29/08/1929). No dia anterior ao concerto, Freitas visitou a redação do Jornal do Brasil, onde fez uma prévia do que iria apresentar, encantando a plateia do jornal.

Concerto no Jornal do Brasil

Um dos jornalistas escreveu elogioso artigo:“Sem ter cursado escola alguma, o jovem patrício sentiu-se atraído para o campo imenso do Belo, de que a música é um dos mais maravilhosos setores. E, ao invés de preferir as modinhas típicas do sertão, os nossos sambas e canções características, volveu José de Freitas a sua atenção para as músicas clássicas...”. (sic)

A revista O Violão  menciona este concerto e destaca o aprendizado de Freitas com Quincas Laranjeiras: “ ...Modesto, humilde mesmo, encontrou no violão o elemento necessário à sua alma simples. Sem outras credenciais senão essas qualidades, abrigou-se a sombra do bondoso Joaquim dos Santos, o mestre generoso e abnegado do violão, e com ele ensaiou os primeiros passos. Estudou com afinco e Santos descobriu nele grandes qualidades com as quais podia tornar-se um grande artista. Aproveitou-as com carinho e encarreirou-o com grande habilidade. Em pouco tempo tornou-se Freitas o seu maior discípulo, alias com justiça, porquanto, realmente se desenvolveu com rapidez, conseguindo uma técnica apreciável”. (sic) (O Violão, agosto-setembro, 1929).

O repertório do recital inclui temas como Andante (Haydn/Tárrega), Minueto nº1 (Bach/Segóvia), duas peças de Carlos Garcia Tolsa (Al Fin, Solos  e Meditacion), Recuerdos de Alhambra (Francisco Tárrega) e  Canção Catalã (Miguel Llobet), Prelúdio nº 20, op 28 (Chopin) e Evocação, op 13 (romanza de José Augusto de Freitas), além de três peças de Agustin Barrios: Madrigal, Tua Imagem e Estudo de Concerto. (ver repertório no final)

Presença de Barrios

É interessante notar a presença de três peças de Barrios e de duas de Garcia Tolsa no programa desse recital. Alguns livros, como o Diccionario de Guitarristas, de Domingo Prat, afirmam que Freitas estudou com Barrios: “El progresso de Freitas se acrecentó grandemente, por lo que decidió estudar com el conocido guitarrista paraguayo Agustin Barrios, com quien logro formarse um hábil ejecutante”.

Na tese de mestrado sobre a presença de Agustin Barrios no Brasil, Cyro Delvizio narra uma conversa entre José Augusto de Freitas e Ronoel Simões, anotada por Edmar Fenício: “José soube que Barrios estava no Rio de Janeiro para realizar alguns concertos e, para não perder a grande oportunidade de ver de perto o magistral concertista, foi assistir esse concerto (...)Tão logo terminou o concerto, José foi ter com Barrios e depois de cumprimenta-lo pela sua maravilhosa execução, convidou-o para ser seu hóspede em sua residência, o que Barrios carinhosamente agradeceu e aceitou(...)”

Freitas continuou a contar para Ronoel: “Barrios acordava cedo e depois do desjejum com minha família, ele pedia licença e, com o seu violão, se dirigia para a sala. Primeiro, ele iniciava os exercícios com uma serie de escalas, arpejos, trinos, etc. Após isso ele seguia tocando algumas das suas músicas, inicialmente as mais lentas e depois as mais rápidas. Eu ficava maravilhado com tanta habilidade que vinha daqueles dedos mágicos! Muitos amigos meus que gostavam de violão, a meu convite, se reuniam à tarde em minha residência para ouvir Barrios, e alguns até quiseram tomar lições com ele”. (sic)

Orfeão Português

José Augusto de Freitas participou de dois eventos em 1929 como solista de violão, dentro de uma programação variada. O primeiro ocorreu em 29 de maio, uma festa do Orfeão Português, realizada no Teatro República (Diario Carioca, 28/05/1929, pág. 5) e o segundo em 27 de julho, uma festa do Gremio 11 de Junho, também com a participação da soprano Dulce Drummond e do flautista Eugênio Martins. (Correio da Manhã, 25/07/1929, pág 5).

Ainda naquele ano apresentou-se na Rádio Educadora tocando violão clássico, e na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, participando de programas de música regional. O concerto seguinte ocorreu em 18 de janeiro de 1930, no Tijuca Tênis Club, num evento intitulado Festa do Violão, causando tanto sucesso que a diretoria daquele clube cogitou realizar uma outra festa. (Ver repertório no final)

De acordo com o jornal O Paiz, o programa do concerto tem uma grande novidade, se comparado ao primeiro, que é a inclusão de quatro músicas do próprio Freitas (Soluços, Choro nº 7, Choro 9 e Evocação). Mas ele também apresenta três clássicos de Tárrega (Recuerdos de Alhambra, Capricho Árabe e Sonho Tremolo), duas de Garcia Tolsa (Al Fin Solos e Meditação), duas de Agustin Barrios (Estudo em e Gavotte Madrigal), além de obras de Coste, Bach e Chopin.

Teatro Phenix

Outro concerto elogiado pela crítica foi em 10 de julho de 1930, no Teatro Phenix, em homenagem à Miss Rio de Janeiro, Marina Torres. “O concertista, que é um brilhante violonista, deu cabal execução ao programa anunciado, aliás de grande dificuldade. O público aplaudiu-o com calor”. (O Paiz -11/07/1930, pág 5) (ver programação no final)

No repertório, os compositores de sempre: Tárrega, Barrios, Tolsa, Chopin, Bach e uma peça de Albéniz. Mas, sem dúvida, a novidade do programa é a inclusão do Choro 1, de Villa Lobos. No livro Violão e Identidade Nacional, a pesquisadora e violonista Marcia Taborda salienta que a provável primeira audição dessa música se deu na apresentação do concertista espanhol Regino Sainz de la Maza no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 06 de junho de 1929.

Ano de ouro

Ainda em 1930, que pode ser considerado “ano de ouro” para Freitas, houve quatro eventos importantes dos quais ele participou. O primeiro, Noite Brasileira, ocorreu no Theatro Lyrico, em  24 de fevereiro, onde ele dividiu o palco com os violonistas Rogério Guimarães e A. Alvim e o bandolinista e maestro João Martins (O Paiz, 20/02/1930).

O segundo foi o espetáculo beneficente, realizado em 22 de julho, no Cine Theatro Imperial, em Niterói. Participaram também desse evento Bastos Tigre, Jessy Barbosa, Josué de Barros, Anna Albuquerque Mello, Henrique Vogeler, Amélia Brandão Nery, Carmen Miranda, Raul Pederneiras, maestro Mário de Azevedo e Catulo da Paixão Cearense. Na ocasião, Freitas apresentou dois clássicos em solo de violão (O Paiz, 21 e 22/07/1930, pág 4).

O terceiro evento foi o recital do musicista cego Ladário Teixeira, realizado no Theatro Lyrico em 14 de agosto (Diario da Noite, pág 5). Participaram também deste recital, a soprano Lidia Salgado e o grupo Inocentes do Rio, formado por João Pernambuco, Nelson Alves, A. Giovanotti, Manoel Amorim e Sebastião Santos Neves. No recital foram executadas Lamento e Polca da Bravura (ambas de João Pernambuco), Eu Vi Você (Nelson Alves), Madrigal (Barrios) e Choro nº1 (Villa Lobos), estas duas últimas interpretadas por José Augusto de Freitas.            

No salão do Orfeão Português ocorreu o quarto recital, em 13 de setembro, organizado pelo professor de bandolim Narciso Araújo, que contou com a participação de José Augusto de Freitas, Cândida Leal e Gustavo Ribeiro, Arthur Moraes e Manoel Barlavento (A Noite, 10/09/1930, pág 9).

Discos 78 RPM e festas

Encerrando o “ano de ouro”, Freitas grava dois discos de solos de violão pela Odeon, O primeiro foi em 10 de setembro de 1930, lançado em dezembro, com as faixas Soluços e Lamentos d’Alma, compostas pelo violonista. Em 27 de novembro do mesmo ano, grava o segundo 78 RPM, lançado em janeiro de 1931, com o choro É Assim Mesmo e o fox trote O Tempo Passa, ambas de autoria de Freitas.

Em paralelo, a presença em eventos prosseguia. O Tijuca Tênis Club promoveu duas festas de arte em 1931. Na primeira, realizada em 13 de junho no salão da Associação dos Empregados no Comércio, Freitas apresentou em solo de violão as composições Recuerdos de Alhambra, de Tárrega, e Noturno, op 9, nº2, de Chopin (Jornal do Brasil, 12/06/1931).

A outra festa, realizada em 17 de outubro no salão do mesmo clube, contou também com a participação da pianista Amélia Brandão Ney (Tia Amélia) e do Bando de Tangarás. Freitas apresentou em solo de violão as músicas Reverie, de Tárrega e Penso en Ti, de Carlos Garcia Tolsa (A Batalha -16 de outubro de 1931, página 5).

Outro concerto de José Augusto de Freitas aconteceu em 27 de janeiro de 1933 no Studio Nicolas, que ficava na rua Alcindo Guanabara nº 5. A crítica cobriu de elogios o concertista, como se lê na Revista da Semana: “Muito formoso esteve o recital que o violonista José Augusto de Freitas realizou sexta feira passada no Studio Nicolas. O esplendido salão encheu-se de uma sociedade distinta, que aplaudiu com vivo entusiasmo todos os números do seu bem organizado programa”.(sic) Nesse concerto, que tem um programa bem diferente dos anteriores, Freitas incluiu cinco composições de sua autoria. (ver no final)

Um fato interessante ocorreu no início de setembro de 1933. Após retornar de uma temporada de um ano nos Estados Unidos, tempo em que ficou driblando a imigração americana, Henrique Brito, numa entrevista concedida a um matutino sobre o violão elétrico, invenção sua, declarou que “... para tornar conhecido o novo instrumento, resolvi com o distinto professor Freitas, exímio concertista de violão, fazer uma tournée pelo pais, dando vida e corpo aos nossos choros e modinhas, tão desconhecidas do estrangeiro”. (sic) (Jornal do Brasil, 02/09/1933, pág 6)

Outras emissoras

Em 1934, Freitas entra para a Radio Cajuti, acumulando atividades com a Rádio Educadora. No ano seguinte, temos o registro de ele executando vários solos de violão, incluindo as de sua autoria (Devaneio, Queixumes, Pétalas de Rosas e Cajuti), além de Pagina d’Album (Barrios), Adieu je Pars (Arthur Napoleão) e Una Lágrima (Sagreras).

Em 8 de setembro de 1937, José Augusto de Freitas faz mais um concerto, na Escola Nacional de Música. O programa assinala uma grande mudança do concertista, que passa a prestigiar autores nacionais, a exemplo de Henrique Brito (Maná e Bonito Dia) e de Othon Salleiro (Jurity) e as de sua autoria (Fantasia em Lá maior, Samba Estilizado, Caminho Solitário, Eurídice, Andantino e Allegro Sinfônico) (ver repertório completo no final). Entre o fim do mesmo ano e ao longo de 1938, José Augusto de Freitas apresenta repertório de boleros com o Milonguita e Tito Soza na Rádio Ipanema.

Um evento significativo para o violão brasileiro, no qual José Augusto de Freitas se apresentou, foi a Festa do Violão, organizado pelo violonista João dos Santos e realizado em 17 de julho de 1939, no Instituto Nacional de Música. O elenco incluiu grandes nomes como Garoto, Laurindo Almeida, Tute, Othon Salleiro, Rogério Guimarães, Arthur Passos, Benedito Chaves, Caninha, Romualdo Miranda e Pereira Filho, além do cantor Augusto Calheiros.  

Um pouco antes, em 1 de julho, Freitas participou de um evento festivo na sede da Associação Atlética Banco do Brasil. Na ocasião apresentou em solo de violão, as músicas Recuerdos de Alhambra, de Tárrega, e Allegro Sinfonico, de autoria dele.

Duo com Avena de Castro

O ano de 1939 marca o início de uma série de quatro concertos de cítara e violão, em duo com Heitor Avena de Castro. Estas apresentações, de muita originalidade, transformaram-se em grandes momentos da carreira de Freitas. O primeiro, patrocinado pela Associação de Artistas Líricos, ocorreu em 13 de maio, na Escola Nacional de Música. (ver repertório no final)

Apesar do sucesso de público, este concerto não agradou a todos os críticos a exemplo da Gazeta de Noticias (16/05/1939, pág 4): “Não temos notícia de programa tão extenso como esse do recital de violão e cítara, realizado sábado último na Escola Nacional de Música sob o patrocínio da Associação Brasileira de Artistas Líricos (...) Ora, mesmo em conjunto, o recital não surpreendeu, não entusiasmou. É que o violão e a cítara são instrumentos para deleite particular, para o silencio, e sem prestígio nos salões. Os motivos das peças são típicos e as notas são arrancadas, formando a frase musical bem triste de vida e de colorido(...) Contudo salientamos a execução dos dois professores na gavotte “Langage des Ficurs”, de Kosseldorf e no “Tango Brasileiro”, de José Antão, dois números em que se mostraram mais identificados com a Arte”. (sic)

O segundo concerto dessa série ocorreu em 08 de março de 1940, no Club dos Tabajaras, que ficava à Avenida João Luiz Alves, na Urca. O jornal A Noite noticiou: “Iniciará a audição o prof Freitas com Allegro Sinfonico, notável peça violonistica de sua autoria. Logo após será executado em duo com a cítara, a obra de Avena Preludio nº 1. Em seguida, em solo de cítara, Danubio Azul, de Strauss. Finalizando esta parte, será executado em duo de cítara e violão o tango brasileiro Oh, Coalhada! De Ernesto Nazareth, que tanto sucesso alcançou no concerto realizado na Escola Nacional de Música no ano passado. Seguir-se-á uma parte de canto pelo prof José Augusto de Freitas, acompanhado pela cítara do prof Avena de Castro. O prof Freitas, ou seja, D. Juanito, deliciará a plateia com algumas das mais lindas canções mexicanas como Mujer, El Amor de My Bohio e Volverás, que tanto sucesso tiveram na voz de Pedro Vargas”. (sic)

E, novamente no Clube dos Tabajaras, é realizado o terceiro concerto, em 31 de maio, agora com a participação da cantora Belinha Silva e do conjunto Irmãos Barroso. Freitas interpretou algumas de suas peças como Allegro Sinfonico e Cateretê. Em duo com Avena de Castro, ele tocou Choro da Saudade (Barrios) e  Tango Brasileiro (Ernesto Nazareth). A segunda parte do espetáculo foi composta apenas por Belinha Silva, acompanhada pelo conjunto Irmãos Barroso.

O quarto e último concerto do duo ocorreu em 20 de setembro de 1941, na Escola Nacional de Música. Recebido com entusiasmo pela plateia, o concerto também entusiasmou o crítico de A Noite (24/09/1941, pág 2): “Iniciou o recital o prof Freitas, que estando num dos seus dias mais felizes, entusiasmou a plateia com sua técnica  impecável, sendo delirantemente aplaudido.(sic)

Declínio

A partir de então, a carreira de Freitas entra em franco declínio. Suas apresentações rareiam e ele, que vinha ministrando aulas de violão na casa Bandolim de Ouro, na Avenida Marechal Floriano, 50-a, muda repentinamente o foco: a partir de 1946 passa a dar aulas de acordeom, no mesmo local.

Somente em agosto de 1951, Freitas volta a dar aulas de violão e acordeom. Sabe-se que, a partir da segunda metade da década de 1940, quando o forró de Luiz Gonzaga tomou conta do Brasil, aconteceu uma verdadeira febre do acordeom no país.

O violão passou então por um período difícil, como pode ser percebido num anúncio de José Augusto de Freitas, publicado em 18 de janeiro de 1945, no Jornal do Brasil: “Curso popular a Cr$ 30,00 mensais- Prof. Freitas- Av Mal Floriano, 48-sobrado”. (sic)

Há, no entanto, um episódio interessante nessa história. Em 1951, o violonista fluminense Jodacil Damaceno e sua então namorada Ignez, começaram a estudar acordeon com José Augusto de Freitas no Bandolim de Ouro. Passaram-se três meses até Jodacil descobrir que Freitas era um respeitável violonista, tendo estudado com Quincas Laranjeiras e  Barrios. Após assistir a uma aula de violão, Jodacil disse à Freitas que desejava aprender esse instrumento, e o fez inicialmente por cifras, passando logo depois para o método de violão por música de Matteo Carcassi.

Jodacil, que depois se tornou um dos mais importantes professores do país, fez justiça e exortou a importância de José Augusto de Freitas para o violão brasileiro. No já citado livro O Violão, da Marginalidade à Academia: Trajetória de Jodacil Damaceno, consta a seguinte afirmação: “hoje incompreensivelmente tão pouco lembrado, Freitas foi um proeminente violonista no seu tempo. Seu concerto no Teatro Fenix no Rio de Janeiro foi acolhido com entusiasmo pelo público e crítica. O concerto, que aconteceu em meados de 1930, mereceu destaque na revista Musica, de Barcelona”.

José Augusto de Freitas morreu no Rio de Janeiro em 24 de agosto de 1990.

Discos 78 RPM gravados por José Augusto de Freitas

Soluços (J. A. Freitas) - valsa. Odeon, 1930 (10 720-a)

Lamentos D´alma (J. A. Freitas) – choro -  Odeon, 1930 (10 720-b)

É Assim Mesmo (J. A. Freitas) – choro – Odeon, 1931(10 744- a)

O Tempo Passa (J. A. Freitas) – foxtrote – Odeon, 1931(10 744-b)

Devaneio (J. A. Freitas) – fox trot – Odeon, 1931(10822-a)

Itapura (J. A. Freitas) – choro – Odeon,1931(10 822-b)

Manhã de Abril (J. A. Freitas) – valsa – Odeon, 1932 (10 899-a)

Cachorro Quente (J. A. Freitas) – choro – Odeon,  1932 (10 899-b)

 

Partuturas

Gavota - Dedicada a Q. Laranjeiras publicada na revista O Violão, 03/1929.

Marlene - valsa- partitura MIS, acervo Jacob do Bandolim

Minha Inspiração – polca - partitura MIS, acervo Jacob do Bandolim

Saudades de Miguel Pereira - partitura MIS, acervo Jacob do Bandolim

 

Músicas de José Agusto De Freitas apresentada em audições

Allegro Sinfônico

Cajuti - marcha- apresentada em programa radiofônico.

Choro nº 7

Choro nº 9

Evocação – romance

Fantasia em Lá Maior

Pétalas de Rosas –valsa

 

Músicas de José Augusto de Freitas pertencente ao acervo de Jodacil Damaceno, segundo Sandra Alfonso)

Adoráveis Momentos - valsa

Andante Expressivo

Azul – valsa

Dança Árabe

Destino - valsa

Cateretê

Fantasia em Mi Menor

Fantasia em Trêmolo

Saudade - valsa

Sonho - valsa

Sorriso de Arlequim - valsa

Tânia - valsa

Tarantella

Concertos em programas de rádio divulgados pela imprensa com a participação de José Augusto de Freitas e o repertório tocado por ele

CORREIO DA MANHÃ, 09/06/1928 - SEM FIO, PÁG 10: Radio Sociedade Rio de Janeiro: Programa de música para violão e canto, com os srs João Pernambuco, José de Freitas, Rogério Guimarães, Glauco Vianna e srta Lea Schrorer.(sic)

a)    Mathilde - mazurca- João Pernambuco e José de Freitas

b)   Interrogando - (choro), a três violões: Rogério Guimarães, João Pernambuco e José de Freitas

c)    Valsa Triste - José de Freitas e João Pernambuco

d)    Campanha do Sul - João Pernambuco, Rogério Guimarães e José de Freitas

e)    Delirando - tango argentino - João Pernambuco, Rogério Guimarães e José de Freitas

 

CORREIO DA MANHÃ, 20/06/1928 - SEM FIO, PÁGINA 7:

a)    Toada Gaúcha (a 4 violões) - João Pernambuco, José de Freitas,  Rogério Guimarães e Lourival Montenegro

b)   Mathilde (a dois violões) - João Pernambuco e José de Freitas

c)    Rebuliço (a três violões) - João Pernambuco, José de Freitas e Rogério Guimarães

d)    Saudade - valsa (a três violões) - Rogério Guimarães, João Pernambuco e José de Freitas

 

CORREIO DA MANHÃ, 22/08/1928 - SEM FIO, PÁGINA 6:

a)    Magoado - choro a dois violões - João Pernambuco e José de Freitas.

b)   Um Momento - valsa a dois violões - João Pernambuco e José de Freitas.

c)    Canção Catalã - solo de violão por José de Freitas.

d)    Toada Gaúcha e Soluções Em ambas, solo de violão por João Pernambuco e José de Freitas.

e)    Mariette - mazurca- solo de violão por José de Freitas.

f)      Interrogando e Lágrimas - Ambas em solo de violão por João Pernambuco e José de Freitas

 

A NOITE – 19/09/1928 - SEM FIO, PÁGINA 4: Concerto oferecido pelas Industrias Alba, com o concurso da srta Gessy Barbosa, João Pernambuco, José de Freitas, Nelson Alves, Lourival Montenegro, Raul dos Santos, Joaquim Formiga e Orquestra da Radio Sociedade.(sic)

 

GAZETA DE NOTICIAS, 07/11/1928 - RÁDIO, PÁGINA 6: Programa de música regional. Solos de violão pelos srs João Pernambuco e José de Freitas:

a)    Magoado

b)   Viola Sertaneja

c)    A Ligeira

d)    Cotuba

 

A MANHÃ, 15/12/1928, PÁGINA 6:

Concerto oferecido aos ouvintes pelas industrias Alba, com o concurso de: Srtª Gessy Barbosa(canto), João Pernambuco (Violão), José de Freitas (violão), Rodolpho Bezzerra (canto), Salvador Bore (piston), M Pires (cavaquinho), José Pires (saxofone) e José Bittencourt (concertista).(sic)

REVISTA O VIOLÃO (AGO-SET. 1929) RECITAL DE JOSÉ AUGUSTO DE FREITAS NO JORNAL DO BRASIL

Primeira Parte

1) Violão, pelo professor José Augusto de Freitas

a)    Andante - Haydn/Tárrega

b)   Minueto nº1 - Bach/Segóvia

c)    Canto, pela soprano Dulce Drummond

d)    Marguerite - Schubert

e)    Violino, pelo senhor Carlos de Almeida, que executou Capriccio – de Haydn e Rigaudon – de Francouer

f)      Violão, pelo professor José Augusto de Freitas

g)    Al Fin, Solos – sonata - Carlos Garcia Tolsa

Segunda Parte

a)    Violão, pelo professor  José Augusto de Freitas, que executou Recuerdos de Alhambra, de Tárrega, e  Canção Catalã, de  Llobet

b)   Canto, pela soprano Dulce Drummond, que apresentou Amor, de Araújo Vianna

c)    Violino, por Carlos de Almeida, que executou Melodie, de Chiaffitelli e  Mazurka, de Zarzicki

d)    Violão, pelo professor José Augusto de Freitas, que tocou Prelúdio nº 20, op 28, de Chopin, e Evocação, op 13, romanza de José Augusto de Freitas

Terceira Parte

a)    Violão, pelo professor José Augusto de Freitas, que executou Madrigal – gavota, de Barrios; Tua Imagem – valsa, de Barrios;  Estudo de Concerto, de Barrios; e Meditacion – nocturno, de Carlos Garcia Tolsa

 

PROGRAMA DO CONCERTO (O PAIZ. 18/01/1930, PÁGINA 5):

Primeira Parte

a)    Al Fin Solos – sonata - Carlos Garcia Tolsa

b)    Soluços – valsa - José Augusto de Freitas

c)    Recuerdos de Alhambra  - de Tárrega

d)    Choro 9 – de José Augusto de Freitas

e)    Capricho Árabe – sonata - deTárrega

Segunda Parte

a)    Evocação – romanzade José Augusto de Freitas

b)   Estudo de Concerto – de N. Coste

c)    Sonho Tremolo – de Tárrega

d)    Prelúdio – de Bach

e)    Nocturno, op 9, 2 – de Chopin

Terceira Parte

a)    Choro nº 7 – de José Augusto de Freitas

b)   Estudo em – de A. Barrios

c)    Serenata – de Mallack - Aranjo de Tárrega

d)    Gavotte Madrigal – de Barrios

e)    Meditação – de Carlos Garcia Tolsa

 

O PAIZ, 09/07/. PÁGINA 7):

Primeira Parte

a)    Tárrega: Prelúdio, Pavana e Mazurka

b)   Beethoven: Clair de Lune

c)    Barrios: Madrigal

d)    Chopin: Nocturno, Op 9, nº2

(OBS: Clair de Lune é de Debussy, mas foi creditada no jornal a Beethoven)

Segunda Parte

a)    Bach: Courrante e Bourré

b)   Tárrega: Sonho

c)    N. Coste: Allegro Moderato

Terceira Parte

a)    Albeniz: Cadiz

b)   Villa Lobos: Choro 1

c)    Tárrega: Capricho Árabe

d)    Carlos Garcia Tolsa - Meditação, noturno

 

CONCERTO NO STUDIO NICOLAS (CORREIO DA MANHÃ, 27/01, PÁG 6):

Primeira Parte

a)    Recuerdos de Alhambra - Tárrega

b)   Romance - Schumann

c)    Alma Triste - José Augusto de Freitas

d)    Dansa 5 - Granados

e)    Madrigal e Souvenir d’un Rêve. Ambas composições de A. Barrios

Segunda Parte

a)    Romance san Parole - Arthur Napoleão.

b)   Choro 1 - Villa Lobos.

c)    Fagueiro - fox trot  e Queixumes – valsa.

d)    Choro nº 17(Cachorro Quente).

e)    Cateretê Paulista.

f)      Tarantela.

OBS: Todas estas composições são de José Augusto de Freitas.

Terceira Parte

a)    Preludio Espanhol - Albeniz

b)   Bourré - Bach

c)    Estudo - N. Coste

d)    Valsa 1 - Barrios

e)    Nocturno, Op 9, 2 - Chopin

 

CONCERTO NA ESCOLA NACIONAL DE MÚSICA (CORREIO DA MANHÃ - 08 DE SETEMBRO DE 1937, PÁGINA 6):

Primeira Parte

a)    Fantasia em Lá maior - José Augusto de Freitas

b)   Marieta – mazurka - Tárrega

c)    Junto de Teu Coração - valsa de concerto - Barrios

d)    Estudo 3 - F. Sor

e)    Romance - Schumann

f)      Souvenir d’un Rêve – Barrios

Segunda Parte

a)    Samba Estilizado - José Augusto de Freitas.

b)   Maná – tango - Henrique Britto.

c)    Jurity - batuque - Othon Salleiro

d)    Bonito Dia - fox - Henrique Britto

e)    Caminho Solitário – valsa - José Augusto de Freitas

Terceira Parte:

a)    Eurídice - mazurka de concerto - José Augusto de Freitas.

b)   Tua Imagem – valsa - Barrios

c)    Estudo 12 - D. Aguado

d)    Andantino e Allegro Sinfônico. Ambas de autoria de José Augusto de Freitas

 

FESTA DO VIOLÃO (JORNAL DO BRASIL 14/07/1939:

Primeira Parte

Palestra sobre o violão por Antônio de Freitas Guimarães

Segunda Parte

Solos de violão por Arthur Passos, Benedito Chaves, Caninha, Romualdo Miranda, Garoto e Laurindo Almeida

Terceira Parte

Números de canto, de autoria de João dos Santos, interpretados por Cleo Silva e Augusto Calheiros

Quarta Parte

Solos de violão por José Augusto de Freitas, João dos Santos, Othon Salleiro, Rogério Guimarães, Pereira Filho e Tute

 

CONCERTO DE JOSÉ AUGUSTO DE FREITAS E AVENA DE CASTRO  - ESCOLA NACIONAL DE MÚSICA (DIARIO DE NOTICIAS 13/05/1939)

Parte 1

a)    Eurídice - mazurka de concerto - José Augusto de Freitas. Solo de violão

b)    Junto ao Teu coração - valsa de concerto - Barrios. Solo de violão

c)    Allegro Sinfônico - José Augusto de Freitas. Solo de violão

d)    Una Lagrima – fantasia - G. Sagreras - Cítara e violão

e)    Langage des Ficurs - Gavotte – Kosseldorfer - cítara e violão

f)      Prelúdio em Sol Menor - Avena de Castro - cítara e violão

Parte 2

a)    Excelsa – valsa - Othon Salleiro - solo de violão

b)    Jongo (Interrogando) - João Pernambuco - solo de violão

c)    Caminho Solitário – valsa - José Augusto de Freitas - solo de violão

d)    Queixume – valsa - Brant Horta - solo de violão

e)    Estudo de Concerto em Mi Menor - Dilermando Reis - solo de violão

f)      Serrana - valsa típica - Eleutério de Freitas- violão e cítara

g)    Tu não Sentes - valsa - Fonseca Costa - cítara e violão

h)    Tango Brasileiro - José Antão- cítara e violão

Parte 3

a)    Serenata - Franz Schubert - solo de cítara

b)    Olhos Negros - polca de concerto -  Haupt - solo de cítara

c)    Mandolinata – souvenir – Paladilhe - solo de cítara

d)    Norma - andante e alegro – Bellini - solo de cítara

e)    Rapsódia Húngara – Unlauf - solo de cítara

f)      Serenata - Unlauf - cítara e violão

g)    Devaneio - Avena de Castro - cítara e violão

 

CONCERTO DE JOSÉ AUGUSTO DE FREITAS, AVENA DE CASTRO E A CANTORA BELINHA SILVA E CONJUNTO IRMÃOS BARROSO – 31/05/1940 - CLUBE DOS TABAJARAS

Parte 1

a)    Allegro Sinfonico – J. A. de Freitas - solo de violão pelo autor

b)   Cateretê – J. A. de Freitas - solo de violão pelo autor

c)    Danúbio Azul – Strauss - solo de cítara por Avena de Castro

d)    Choro da Saudade – Barrios - duo cítara/violão

e)    Langage des Fleurs – Gavote – Rosseldorf - duo cítara/violão

f)      Tango Brasileiro - Ernesto Nazareth - duo cítara/violão

Parte 2: Foi composta apenas por Belinha Silva, acompanhada pelo conjunto Irmãos Barroso

 

CONCERTO JOSÉ AUGUSTO DE FREITAS - ESCOLA NACIONAL DE MÚSICA. (GAZETA DE NOTICIAS, 20/09/1941, PÁGINA 12)

Parte 1: Solos de violão pelo professor José Augusto de Freitas

a)    Fantasia em Lá Maior – J. A. de Freitas

b)   Al Fin, Solos - Carlos Garcia Tolsa

c)    Souvenir Dun Rêve - Barrios

d)    Allegro Sinfonico – J. A. de Freitas

Parte 2: Solos de cítara pelo professor Heitor Avena de Castro

a)    Serenata - Schubert

b)   Valsa op 69, 2 - Chopin

c)    Rose Marie - Krenler

d)    Danúbio Azul - Strauss

Parte 3: Duo de cítara e violão

a)    Prelúdio nº1 - Avena de Castro

b)    Choro da Saudade - Barrios

c)    Langage des Fleurs - Kosseldorf

d)    Tango Brasileiro - Ernesto Nazareth

 

Referências Bibliográficas

ALFONSO, Sandra Mara. O Violão: da Marginalidade à Academia. Trajetória de Jodacil Damaceno. Uberlândia. EDUFU, 2009

DELVIZIO, Cyro. Agustin Barrios e o Brasil: Um relato histórico sobre a sua interação com o meio artístico brasileiro. Rio de Janeiro, UFRJ, 2011

PRAT, Domingo. Diccionario de Guitarristas

TABORDA, Marcia. Violão e Identidade Nacional. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2011

OBS: Os dados de jornais e revistas consultados aparecem ao longo do texto