Paola-Picherzky

Paola Picherzky

Nascimento

28 de Maio de 1966

Naturalidade

Mendonza (Argentina)

Responsável por resgatar e gravar a obra de Armando Neves, é integrante do grupo Choronas e das mais ativas professoras em faculdades de SP

por Gilson Antunes e Alessandro Soares

Um dos grande nomes da nova geração de violonistas brasileiros, Paola Picherzky tem a carreira solo marcada pela divulgação da obra de Armando Neves, sobre quem realizou uma profunda pesquisa, resgatou inúmeras fotografias, partituras e gravou dois discos só com músicas do compositor. Paola participou também de uma das formações do Quaternaglia Guitar Quartet e integra o Choronas, grupo paulista dedicado ao choro.

Filha de Jorge Luiz Pichesku e de Lucy Cohn Moscovic, Andrea Paola Picherzky nasceu em Mendonza, na Argentina, e com menos de dois anos de idade se mudou com os pais para São Paulo. O interesse por música surgiu cedo. Aos sete anos, pediu à mãe um violão e teve um professor particular, mas as aulas logo foram interrompidas e ela abandonou o instrumento.

A vontade de voltar para a música reapareceu por volta dos 16 anos, após assistir a um show de Toquinho. Em seguida, tomou um violão emprestado e foi estudar com o grande professor Manuel São Marcos, que desde o início das aulas a incentivou bastante e o período de ensino durou cerca de três anos. Paola participava também da camerata de violões liderada pelo mestre e, em paralelo, cursava enfermagem na faculdade.  

Perto de se formar, Paola abandonou o futuro como enfermeira para se dedicar integralmente ao violão. Em 1986 entrou na Fundação das Artes de São Caetano do Sul, no ABC paulista, onde estudou violão clássico. Deu continuidade ao instrumento na Faculdade de Música Carlos Gomes, em São Paulo.

Participou de vários festivais de música, como o de Anzio, na Itália (1992) e o Festival Agustin Barrios, em Assunção, no Paraguai (1994), onde teve contato com nomes como Abel Carlevaro, Graciela Pomponio Zarate, Jiro Hamada, Rico Stover e Hopkinson Smith.

Choronas

Em 1995, ajudou a criar o Choronas, junto com a flautista Gabriela Machado, a cavaquinista Ana Cláudia César e a percussionista Roseli Câmara. Além do choro, esse quarteto de mulheres interpreta também outros gêneros tipicamente brasileiros, como baião, maxixe e samba.

Em 2000, o grupo lançou o primeiro CD, Atraente, que teve grande sucesso de crítica. No repertório, obras de Jacob do Bandolim, Chiquinha Gonzaga, Waldir Azevedo e Hermeto Paschoal, entre outros. O segundo álbum do grupo, Choronas Convida, veio em 2003. Das 17 faixas, nove têm convidados, como Roberto Sion, Grupo Madeira de Vento e Alceu Maia.

Em 2008 chegou ao mercado o terceiro CD das Choronas, O Brasil toca Choro, resultado da turnê de comemoração dos dez anos de carreira do grupo. As Choronas percorreram várias regiões do Brasil e mantiveram contato com importantes compositores de Belém, Brasília, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, que acabaram entrando no repertório da gravação.

Recentemente, duas integrantes da formação original saíram do grupo e foram substituídas por Miriam Capua (percussão) Maicira Trevisan (flauta).

Armandinho

A carreira solo de Paola é fortemente marcada pelo resgate da obra do compositor Armando Neves, conhecido como Armandinho. Em 2004, ela gravou o aclamado o disco solo 18 choros de Armando Neves, fruto de sua pesquisa de mestrado na Universidade Estadual Paulista (UNESP), intitulada Armando Neves: Choro no Violão Paulista.

Com a gravação e a dissertação, além da catalogação completa das composições de Armando Neves, a violonista ajudou a revitalizar a vida e a obra desse grande compositor brasileiro, que foi gravado inclusive por David Russel, no CD Sonidos Latinos.

Em 2015 Paola lançou o CD Armando Neves: Outras Composições, num total de 15 peças de Armandinho. Ao contrário do primeiro disco, que é dedicado a choro, este abrange vários outros gêneros como prelúdio, valsa e maxixe.

Quaternaglia

Em 2007, Paola foi convidada a entrar no Quaternaglia Guitar Quartet, no qual permaneceu até 2010. Com o grupo, participou do Festival Leo Brouwer, tocando a obra orquestral Gismontiana, sob a regência do próprio compositor cubano. E também participou da gravação de cinco das nove faixas do disco Jequibau, lançado em 2012.

Ensino

Professora de violão desde o início dos anos 1990, Paola idealizou e implantou em 2002 o projeto Ensino Coletivo de Violão, culminando com a criação da primeira orquestra de violões da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, da qual foi regente e diretora artística. A orquestra tem atividades pedagógicas a artísticas e já fez apresentações de sucesso, inclusive no Seminário Internacional de Violão Vital Medeiros.

Além de seu trabalho pedagógico e sua verve musicológica, Paola PIcherzky é professora da Fundação das Artes de São Caetano do Sul, da Faculdade de Música Santa Marcelina e do Centro Universitário FIAM-FAAM, estas últimas localizadas na capital paulista.

Link 

www.choronas.com.br

Discografia

Solo:

- 18 Choros de Armando Neves (Independente, 2004)

- Armando Neves: Outras Composições (Independente, 2015)

Com o Quaternaglia:

- Jequibau (2012)

Com o grupo Choronas:

- Atraente (Paulus, 2000)

- Choronas Convida (Paulus, 2003)

- O Brasil Toca Choro (independente, 2008)