Quarteto-Tau

Quarteto Tau

Naturalidade

São Paulo (SP)

Formação atual da esquerda para a direita: Jose Henrique de Campos, Daniel Murray, Breno Chaves e Victor Garbelloto

Por Gilson Antunes

O violão brasileiro tem a tradição dos duos de violões, especialmente por causa da trajetória do Duo Abreu e do Duo Assad. Mas a partir do surgimentos de grupos como o Quaternaglia Guitar Quartet, vários outros quartetos passaram a ter uma referência de peso para o desenvolvimento do repertório e do profissionalismo. O Quarteto Tau tem destaque especial nessa empreitada, ajudando também a inspirar novos quartetos de violões no país.

Surgido em São Paulo no início da década de 2000, o Quarteto Tau demonstrava desde o começo sérias intenções artísticas, que se revelavam na busca por um desenvolvimento de um repertório denso para a formação, assim como o Quaternaglia. A primeira formação do Tau é integrada por Breno Chaves (ex-Quaternaglia), José Henrique de Campos, Fabio Bartoloni e Bruno Zaia Bonetto.

Após a saída de Bruno Zaia, o mineiro Marcos Flavio assumiu a vaga e o quarteto logo gravou seu álbum de estreia, Brasileiro, em 2007. O repertório apresentado impressionou pela originalidade e competência de interpretação. Pela primeira vez, foi apresentada uma transcrição de um quarteto de Alberto Nepomuceno (Quarteto no 3), no qual o grupo tentou manter as características originais do compositor brasileiro.

Giácomo Bartoloni reescreveu a sua Gnattaliana (original para 3 violões; de autoria dele) especialmente para o Quarteto Tau, inserindo o tema Tristeza do Jeca como interlúdio da obra (esse trecho não consta no original para trio de violões). O irmão de Giácomo, Carmo Bartoloni, compôs especialmente para esse quarteto a virtuosística Tema e Variantes, sendo essa mais uma adição ao repertório para quatro violões.

Paulo de Tarso Salles compôs Bartok na Cozinha inspirada em Batuque na Cozinha, de Martinho da Vila, na qual elementos de percussão moldam a estética geral da música. O CD de estreia do Quarteto Tau também tem o Quarteto n.1 de Radamés Gnattali, um tour de force violonístico tocado com extrema competência pelo grupo.

Com esse disco, o Quarteto Tau demonstrou a que veio, passando a se apresentar em diversos festivais e recitais por todo o Brasil. Em 2008 fez turnê pela Bolívia (La Paz, Santa Cruz de La Sierra e Cochabamba), patrocinada pelo Ministério da Cultura do Brasil, na qual apresentaram repertório brasileiro clássico e popular.

Com a saída de Marcos Flávio (para fazer pós-graduação no exterior), o Quarteto Tau chamou o experiente Daniel Murray para assumir a vaga. O novo integrante já vinha apresentando recitais de altíssimo nível, tanto como solista quanto como camerista.

Da nova formação surgiu o segundo CD, Cordas Brasileiras, em parceria com o violeiro Fernando Caselato. O resultado é um projeto inédito e inusitado, apresentando obras de caráter popular dos compositores Carmo Bartoloni, Weber Lopes, Paulo Bellinati (que produziu o CD), Garoto e outros, além de obras de Murray e Caselato.

Em 2013 o Quarteto Tau fez turnê europeia. Tocou em importantes salas na França e Inglaterra. Alguns dos recitais foram realizados em conjunto com o clarinetista Luca Luciano. Em outubro de 2014 o grupo voltou à Europa, dessa vez para recitais na Dinamarca. Atualmente, o grupo segue com Breno Chaves, Daniel Murray, Jose Henrique de Campos e Victor Garbelloto, que assumiu a vaga de Fábio Bartoloni (que atualmente cursa doutorado nos Estados Unidos).

Website oficial: quartetotau.blogspot.com

Discografia:

Brasileiro (2007), independente

Cordas Brasileiras (2012, com o violeiro Fernando Caselato), Delira Música.