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Toninho Horta é tema de minidoc com Carlos Walter e Tabajara Belo

(Toninho Horta)

Por Rosualdo Rodrigues

O Acervo Violão Brasileiro lança nesta terça-feira (11/12) em seus canais na internet o minidocumentário Toninho Horta 70 Anos, uma homenagem ao compositor e violonista mineiro pelo 70º aniversário, comemorado no último dia 2 de dezembro. No filme dirigido pelo jornalista Luís Evo, os músicos Carlos Walter, Tabajara Belo e André Cabelo, conterrâneos de Toninho, falam sobre o artista e tocam algumas de suas composições em arranjos especialmente feitos para a produção.

Toninho Horta é um dos mais importantes nomes da música mineira e brasileira. Formou o mítico Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento, Wagner Tiso e Beto Guedes; é autor de clássicos da canção popular, a exemplo de Manuel, o Audaz e Beijo Partido, além de ser também um instrumentista virtuoso, respeitado no meio jazzístico e na música instrumental – já tocou com Gil Evans, Paquito De Rivera, Airto Moreira, Wayne Shorter, Herbie Hancock e Keith Jarrett, entre outros.

Virtuosismo harmônico, melódico e rítmico

“Tem dois aspectos que acho importante salientar do Toninho. Um é que ele representa essa expansão do conceito de virtuosismo, muitas vezes colocado como um tipo de domínio e exuberância técnica, associada à velocidade. Mas o virtuosismo se manifesta na fluência como a linguagem é trabalhada”, afirma Tabajara Belo em seu depoimento para o filme.

“Outro aspecto é que Toninho não apenas é um virtuose da harmonia como as pessoas geralmente o denominam. O aspecto melódico e rítmico, tudo isso está presente de forma muito profunda. Em termos das levadas, por exemplo, o conceito de levada como formas e padrões de acompanhamento que em vários instrumentos a gente pode ter. Ele é um verdadeiro inventor de levadas”, acrescenta.

Marca pessoal e intransferível

O guitarrista e engenheiro de som André Cabelo lembra a gravação de outro documentário em que teve oportunidade de trabalhar com Toninho Horta -- Violões de Minas, produzido pelo também violonista Geraldo Vianna. “Eu era o técnico de gravação do áudio. Já tinha feito eventos com ele ao vivo, mas gravação foi a primeira vez. E foi uma experiência muito legal e muito grata”, recorda. “Toninho tem uma coisa interessante que é como se fosse uma marca, um registro muito característico, muito natural, que o faz ser quem ele é. Você nem precisa dizer. Todo mundo conhece”.

Cabelo pode ter clareza dessa marca pessoal do artista durante as gravações do documentário em estúdio. “Esse processo foi muito legal porque foi um longa, gravamos várias músicas. Deu para ver a face dele não só como o músico sozinho, mas dentro de uma banda, como funcionam as decisões, como funcionam as particularidades da música dele pelo olhar de outros músicos”.

Obra mapeada em discos e livros

Carlos Walter chama a atenção para a longevidade da obra do músico mineiro. “E ela está devidamente mapeada. Temos um songbook recém-lançado com 108 partituras, uma biografia da Maria Teresa de Arruda Campos publicada pela Imprensa Oficial de São Paulo, o documentário A Música Audaz de Toninho Horta e um DVD gravado em 2004 onde podemos conhecer a sua identidade musical”, enumera.

Toninho Horta também já foi tema de uma dissertação de mestrado, Terra dos Pássaros, uma Abordagem Sobre Composições de Toninho Horta, defendida por Thaís Lima Nicodemo na Unicamp, em 2009. ”Esse trabalho é fantástico, pois esmiuçou os fonogramas desse álbum antológico”, ressalta Walter. Para ele a linguagem de Toninho é “metafórica e sinestésica”. “Ele é performático, cênico. Possui uma identidade muito forte e uma técnica violonística sui generis. As unhas da mão direita são curtas. Quando ouvimos essa rítmica impregnada de levadas, escutamos uma locomotiva”, descreve.

O reconhecimento de Toninho Horta no Brasil é inegável, mas seu peso não diminui quando colocado lado a lado com os grandes ícones da música mundial. A antologia Progressions – 100 Years of Jazz, lançadao em 2005 nos Estados Unidos pela Columbia/Legacy, inclui o brasileiro entre os guitarristas mais influentes do mundo do jazz no século 20. “Não faço nada proposital. Posso ir para qualquer lado. Sou do mundo”, declarou Toninho em recente entrevista ao jornal O Globo.

O minidoc Toninho Horta 70 Anos foi realizado e produizdo por Carlos Walter e Tabajara Belo e integra a série de vídeos do Acervo Digital do Violão Brasileiro, que tem apoio cultural do Estúdio Muzak e da NIG Music.

 

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