Coluna Alessandro Soares

Violão brasileiro dá seu recado na cerimônia de abertura da Olimpíada 2016

O violão está em todas. Na apoteótica e deslumbrante abertura da Olimpíada do Rio 2016, na sexta-feira (05), o mundo parou para ouvir a introdução do Hino Nacional, em solo de violão, com Paulinho da Viola, em apresentação delicada, emocionante e inesquecível, acompanhada de uma orquestra de cordas. A criatividade de Gilberto Gil, cuja obra é toda composta com violão, também marcou presença, não apenas cantando, mas também por meio do samba Aquele Abraço, no vídeo inaugural, na voz de Luiz Melodia.  Até Baden Powell, um dos maiores medalhistas mundiais de ouro no assunto "violão", foi lembrado pela divina Elza Soares, quando interpretou Canto de Ossanha, clássico dos afro-sambas, feito em parceria de Vinícius de Moraes.

Neste sábado (6), vale frisar, é a data de nascimento de Baden. Nesse clima, saudamos nosso querido instrumento com três posts singulares. O primeiro é o seminal O Som de Baden Powell, lançado em 1968, com produção do ensaísta alemão Joachim-Ernst Berendt (autor do famoso livro Jazz: do rag ao rock). De cara, o LP abre com Canto de Ossanha, num Baden em plena forma, explorando improvisos, em faixa que dura quase sete minutos. A banda do disco é formada pelo baixista Sérgio Barroso, o baterista Milton Banana, flautista Copinha e os percussionistas Amauri Coelho e Alfredo Bessa. Ouça aqui.

Outro disco fundamental é A Obra Para Violão de Paulinho da Viola, que traz 10 preciosos choros e valsas instrumentais do compositor, interpretado pelo violonista João Pedro Borges. Algumas fauxas têm participação do próprio Paulinho no cavaquinho e o pai dele, César Faria, no violão. O disco saiu pela Kuarup, em 1985, como brinde do grupo CAEMI, não editado comercialmente, como afirma o site Discos do Brasil, da jornalista Maria Luiza Kfouri. É um belo trabalho para se conhecer um lado ainda pouco difundido de Paulinho. Ouça

Fechamos o ciclo com um vídeo de Gilberto Gil, em Aquele Abraço e Back In Back. Gil reinventou uma nova maneira de acompanhamento no violão, levando para o instrumento o resfolego da sanfona de Luiz Gonzaga, elaborando novos acordes a partir de João Gilberto, e criando introduções e riffs trazidos dos sambas de roda do recôncavo baiano e do universo pop, do funk ao reggae. Ainda vamos falar muito do violão de Gil aqui no portal que, a meu ver, é menos comentado do que deveria, apesar a fama internacional da sua música. E assim, o violão brasileiro vai dando  o seu recado na Olimpíada 2016. 

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NIG

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